Hoje embarcamos pra San Diego, pra Comic Con. Velhos amigos nos aguardam, surpresas e novos projetos. Muita gente acha que é tudo uma festa, que vamos descansar por uma semana e que fazer Quadrinhos é cool. E Eu tenho que concordar que fazer Quadrinhos é a coisa mais legal do mundo.
Mas ao contrário do que muitos pensam, não é fácil.
A Fnac está lançando o Prêmio Fnac Novos Talentos. A cada ano, o prêmio será voltado a uma área cultural diferente e, nesta sua primeira edição, será dedicado às Histórias em Quadrinhos. O prêmio é voltado pra estudantes das áreas relacionadas a desenho ou literatura com idade a partir de 16 anos. Os três primeiros colocados ganharão uma premiação em dinheiro, computador e tablet e programas e uma edição publicada pela Devir e Pixel.
Acesse o site e veja o regulamento completo ( edital) e inscreva-se até o dia 30 de Agosto. É importante ler o edital inteiro, mas vou ressaltar os pontos mais importantes aqui:
- O tema será "Infinita Diversidade em Infinitas Combinações", que se refere à série Star Trek (Jornada nas Estrelas), criada por Gene Roddenbery; é a base da filosofia vulcana, que deseja transmitir a idéia de inúmeras possibilidades, sempre com espaço para novas idéias. A proposta é que devemos reconhecer e aceitar nossas diferenças, e combiná-las para podermos crescer. Enfim, resume o compromisso com a diversidade e a igualdade. Importante: Não é pra fazer nada relacionado à série Star Trek, contendo personagens ou imagens. Você tem que criar uma história que se baseia no tema, só isso.
- A obra (uma HQ de 1 página) deverá ser original e inédita. O argumento e ilustração das obras inscritas devem ser ambos originais e de autoria do candidato inscrito.
- O Candidato deve ser pessoas físicas, com idade maior ou igual a 16 (dezesseis) anos completos até a data de inscrição, estudante, tanto em nível médio quanto superior ou mesmo curso livre, dos seguintes cursos: - artes gráficas ou visuais; - desenho; - design; - HQ; - ilustração; e - literatura.
- O Candidato não pode ter trabalho solo já publicado, deve ser brasileiro – natos ou naturalizados – ou estrangeiro com residência fixa no Brasil há mais de dois anos.
- A inscrição é gratuita; As inscrições deverão ser realizadas única e exclusivamente pela via eletrônica, no endereço www.fnac.com.br/premiofnacnovostalentos, no período de 1° de julho a 30 de agosto de 2008.
- Comissão Julgadora: O júri desta edição é composto pelo cartunista Angeli, pelo pintor e cartunista Zélio (um dos fundadores do Pasquim e do Salão de Humor de Piracicaba, irmão do Ziraldo) e pela cantora Fernanda Takai (vocalista da banda Pato Fu). A curadoria é de Silvio Alexandre (membro da Comissão Organizadora do Troféu HQMIX). A Comissão selecionará os 20 melhores trabalhos, e estes serão postos a voto popular no site a partir do dia 17 de setembro. Os 10 mais votados serão julgados novamente pelo juri, donde serão selecionados os 3 melhores trabalhos.
- O vencedor será premiado com a publicação de um livro pela editora Devir e ganhará R$ 5 mil, um computador, monitor, tablet, impressora, scanner, softwares, além de outros materiais que o ajudarão na sua profissão.
- O segundo colocado terá história publicadas numa revista da Pixel, ganhará R$ 3 mil, computador, monitor, tablet, impressora, scanner e softwares.
- O terceiro lugar terá história publicadas numa revista da Pixel, ganhará R$ 2 mil, tablet e softwares.
- Também será premiada a escola onde o concorrente está matriculado, que ganhará um computador e uma coleção de 100 títulos de quadrinhos para incrementar sua biblioteca.
A FNAC nos convidou pra apadrinhar esta edição do prêmio, fazendo parte da comissão julgadora e recebendo o vencedor aqui no estúdio, dando orientações e mostrando como é a rotina da produção de Quadrinhos.
Todas as informações sobre formato, modo de envio, regulamento completo e inscrição estão disponíveis no site. O que vocês estão esperando? Mãos à obra.
"No Brasil, o equivalente a 77 milhões de pessoas dizem não gostar de ler, segundo a pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil", divulgada em maio pelo Instituto Pró-Livro. As principais razões para aqueles não-habituados à leitura: lêem muito devagar (17%); não têm paciência para ler (11%); não compreendem o que lêem (7%); não têm concentração para ler (7%). O brasileiro que lê, em média, conclui 4,7 livros e compra 1,2 exemplar a cada ano. Se a genialidade é 10% inspiração e 90% transpiração, a leitura deve ser 90% instrução e 10% transpiração, entendendo que as dificuldades apontadas pelos não-leitores vêm do sistema de ensino."
A primeira vez que eu ouvi falar de webcomics foi com um cara chamado Damian 5, que fazia uma tira chamada When I am King. Achei muito divertido e era interessante como ele usava as características da internet (animaçõeszinhas, barra de rolagem) como recurso narrativo.
Depois dele, confesso que deixei o assunto de lado.
Com o domínio da internet se expandindo e com a crescente onde de blogs, fotologs, videologs, webcomics e todo mundo achando que a internet é a salvação da lavoura, achei necessário dar uma olhada no que há neste mundo de tão novo, ou maravilhoso, ou salvador. Só pra esclarecer, não tenho nem tempo de fazer uma pesquisa completa de anos de webcomics acumulados na internet, assim não é possível saber toda a história de tal autor, o que veio primeiro, quem publica também em papel, quem vendeu direitos pra fazer animação ou qualquer coisa que o valha. Só vou listar e comentar alguns exemplos que eu vi, tirados de uma lista que tem aqui de webcomics mais lidos. Tenho certeza de que existe gente que acompanha e entende muito mais do que eu isso tudo e poderá me corrigir.
Vou começar com PVP (http://www.pvponline.com/), do Scott Kurtz. Trata da rotina de uma revista sobre video-games, além de incluir uma pitada de fantasia, como o Troll azul e seu gato. Piadinhas inteligentes, algumas vezes muito restritas ao universo dos games, mas o desenho é bem feito (raridade em webcomics), lembra um pouco o Jeff Smith, e de quando em quando foge ao formato tradicional de tira pra usar uma composição um pouco mais arrojada.
PENNY ARCADE (http://penny-arcade.com/), de Mike Krahulik e Jerry Holkins. Mais uma vez, relacionado ao universo de games, internet, computador. Veja que evoluiu um bocado o traço desde a primeira tira, de 1998, até as mais recentes, mas é bacana ver que os personagens continuam presentes. É de se esperar que alguém que produza durante tanto tempo aprenda e se aperfeiçoe no desenho (e no texto também). Algumas vezes também quebra com o formato de tira, mas nada ousado. As piadas que se completam na mesma tira funcionam melhor que algumas que se estendem em seqüências longas de várias tiras.
PERRY BIBLE FELLOWSHIP (http://pbfcomics.com/), de Nicholas Gurewitch, é uma tira que lembra muito a nova fase do Laerte, bem experimental, trabalhando os limites do formato, com várias técnicas diferentes. Tem um humor muito inteligente e adulto.
Least I could do (http://leasticoulddo.com/) e Looking for Group (http://lfgcomic.com/) são escritos por Ryan Sohmer. Na primeira, tira diária desde 2003, ele teve colaboração dos desenhistas Trevor Adams, Chad WM. Porter, até finalmente achar um parceiro que se dava bem com seu texto, Lar DeSouza. Com este último, ele também faz o Looking for Group. Enquanto o primeiro são tiras meio sem graça sobre relacionamentos e vida cotidiana, o segundo é uma aventura destes jogos de RPG na net (MMORPG), de grupos (daí vem o nome, "procurando por grupo"), em formato de quadrinhos mesmo, páginas, revistas, arcos, tudo. O universo da Fantasia já povoa produções de Quadrinhos há muitos anos e muitos moleques que jogavam RPG gostam de HQ e acabam enveredando para esta área. Modernizando essa fórmula já antiga, hoje vemos muitos webcomics relacionados a RPG, games e a própria internet.
CYANIDE AND HAPPINESS (http://explosm.net/), da turma do Explosm.net (são vários autores que se revezam). Desenho básicos, estilo Malvados, tiras ou cartuns, geralmente de humor negro ou sarcástico.
Por último, o webcomic mais visitado do momento é, na verdade, um blog que apresenta uma montagem de fotos com texto sobre a imagem, que poderíamos chamar de foto-cartum, chamados lolcats. Chama-se I Can Has Cheezburger? (http://icanhascheezburger.com/), foi criado por Eric Nakagawa e Kari Unebasami e os próprios internautas podem mandar suas imagens, as melhores são colocadas no blog e ficam sujeitas a votação. Criado em 2007, hoje ele tem uma média de 2 milhões de visitas por dia.Mas a verdade é que isso não é Quadrinhos.
Bom, o motivo que me levou a passar a última hora e meia pesquisando e escrevendo sobre todos estes webcomics é dizer que sim, existe muita coisa boa sendo feita na internet, existe gente talentosa que nasceu na internet e vive da sua produção na internet, mas na esmagadora maioria são tiras, de humor, que dialogam quase que diretamente e exclusivamente com sua própria geração internet, tratando dos seus assuntos internos. Então não, continuo achando que a internet não é a solução para os Quadrinhos, porque Quadrinhos são muito mais do que isso que encontramos na internet, não importa se vai virar filme, desenho animado, ou se tem 2 milhões de visitas por dia. Do imediatismo da internet, vemos que muita gente usa um desenho básico. A tira e o cartum são os formatos mais adotados também pela velocidade de comunicação. Páginas e mais páginas são muito chatas de ler na internet. O humor predomina. As pessoas que nascem e crescem vendo somente essas coisas na internet, (porque afinal está na internet e elas não saem da frente do computador) vão esquecer que um dia se fez Quadrinhos de uma forma maior (sim, maior).
Ontem, recebemos visitas inesperadas. O dia estava rendendo e páginas foram feitas, mas foram as visitas que marcaram o dia.
Pela manhã, recebemos a visita do Leonardo Pascoal, visita combinada, para falar de quadrinhos, de editoração, para mostrar desenhos e para falar de alguns projetos.
Lá pela hora do almoço, liga o Rafa perguntando se eu tinha ligado para ele no dia anterior. Eu tinha, e acabamos combinando que ele tinha nos prometido uma visita no estúdio e que já estava na hora de cumprir a promessa. Combinamos então o que os quadrinhistas combinam, sem horário fixo, sem muito compromisso, sem pressão. Se nossos caminhos se cruzarem, será.
À tarde, trabalho. Pelo fim da tarde, o começo do dia do Grampá cruzou com o nosso e ele apareceu no estúdio para escanear as páginas do final da Mesmo Delivery. Aproveitamos para ligar pro Rafa e perguntar se ele vinha mesmo. Vinha. Veio. Chegou quando o Grampá terminou de escanear, antes que eu tivesse terminado de desenhar, e a tempo da trocar idéias alimentados pelos quitutes que o Grampá trouxe. Ainda fiz arte-final numa página, mas a fome e a companhia falaram mais alto e acabamos indo jantar (leia-se beber) no Mercearia.
"Leva um caderno", disse o Grampá. "A gente faz uns desenhos no esquema um desenha e o outro faz arte-final". O Grampá vive pilhando as pessoas pra tudo. Pra trabalhar, pra não trabalhar, pra aproveitar a vida e o tempo. Acabamos levando o caderno e, no final do "jantar", tínhamos alguns novos desenhos pra mostrar.
A primeira imagem tem o desenho do Grampá com arte-final do Bá, a segunda tem o meu desenho com arte-final do Rafa. Agora começa com o desenho do Bá com arte-final do Grampá e depois vem o desenho do Rafa com a minha arte-final. Aí, o Rafa fez o desenho pro Grampá arte-finalizar, e depois o Bá desenhou pro Rafá finalizar. Finalmente, o Grampá desenhou e eu arte-finalizei e o último quadrinho foi desenhado pelo Rafa e arte-finalizado pelo Bá.
Acabou a história, acabou a comida, ficou a cerveja. Ficou o registro da visita ilustre da inspiração artística, da musa que estimula a produção pelo prazer de criar. O prazer de criar, tão individual, pode ser compartilhado nessa criação coletiva e, quando bem-sucedido, é compartilhado com o o leitor. A visita da inspiração deve ser considerada e é importante para todos os dias de produção solitária que virão. Depois, no Mercearia, ainda chegaram o Cadu e o Galera, mas eu já tinha ido embora. Queria acordar cedo, dar mil beijos na Raquel, a minha musa, antes do meu dia começar.
Este domingo os Quadrinhos estão em alta e você, que está aqui lendo, tem que correr e se ligar.
"Parece que foi ontem que os gêmeos paulistanos Gabriel Bá e Fábio Moon começaram a mostrar que novos ventos estavam soprando na direção do mercado de histórias em quadrinhos. Lá se vão quase dez anos desde que eles fizeram sucesso com o fanzine “10 pãezinhos”. Agora, uma novíssima geração de desenhistas mostra que soube aproveitar os caminhos abertos por eles. " Na Revista do Jornal O Globo, no Rio de Janeiro, saiu uma matéria sobre a nova geração de Quadrinhistas que está surgindo, como Rafa Coutinho, Grampá, Shiko, Gabriel Góes, Jozz e Fabio Lyra. É pra correr e tentar garantir o seu exemplar e, posteriormente, ficar de olho neles.
Na coluna virtual Gibizada, do Télio Navega também para O Globo, além da nota sobre a revista de domingo, há uma matéria sobre a gente, onde falamos um pouco sobre o PIXU. Confiram.
E às 18h, no Canal Brasil, passa o programa Retratos Brasileiros: Laerte - Em Ciclos, mostrando a vida e a obra do maior gênio dos Quadrinhos do Brasil, contada por amigos e colegas de trabalho, com depoimentos dos cartunistas Angeli, Luiz Gê e Rafael Coutinho, do editor Toninho Mendes, do diretor Otto Guerra e de Marília Coutinho, irmã de Laerte, dentre outros convidados (entre eles, nós). Imperdível. É pra tirar o vídeo cassete do armário, achar uma fita velha e gravar.